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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

novo country

para ouvir enquanto vê, Road to Nowhere, dos Talking Heads, por Nouvelle Vague
to listen while reading, Road to Nowhere, original by Talking Heads, here by Nouvelle Vague

É tendência, Tendence dixit: o que fazer quando não podemos comprar uma casa-de-campo? Decorar  a primeira como se fora a segunda casa. Mas num habitat onde não se gema country-roooaad-take-meee-hoooome, por favor! Não se esqueça que vive num 2º esquerdo, e lá fora não há vacas a pastar. A pastar não. Tudo debutado na Tendence, acabada ontem, em Frankfurt.



New Country
Major trend, Tendence dixit: what to do when we cannot afford a country house? Decorate yours first as a second house. But please, in an habitat where's forbideen to mumble country-rooooad-take-meee-hoooome! Do not forget that you live on a 2nd floor left, and outside there are no cows grazing on the plain. At least, not grazing nor on the plain. All debuted at Tendence, finished yesterday at Frankfurt.

1. Almofada Edward, tweed, botões em pele, da 8 Mood; 2. Candeeiro de mesa articulado Willmore, metal lacado preto e niquelado, 50cm de altura, da Light and Living; 3. Espelho com moldura de madeira de maré, Ø90cm, Guru Shop; 4. Banco de jantar forrado a fazenda, 160x55x90cm, a partir de €598, Ins en Outs; 5. Banco Hockinger, estrutura metálica, estofo em câmara de ar reciclada, €320, da Stef Fauser; 6. Aparador Mangoholz, 165x40x55cm, La Casa di Caesar; 7. Taça Beijing, madeira tostada, 36x30x11cm, Au Maison; 8. Jarras Wayo, a partir de 11x10x16cm, €16,90, Asa Selection; 9. Manta Inca Stones, alpaca e lã, 140x200cm, €99, Elvang.
1. Edward cushion, tweed and leather buttons, by 8 Mood; 2. Willmore articulated table lamp, black lacquered metal and nickel plated, 50cm high, Light and Living; 3. Mirror with driftwood frame, Ø90cm, Guru Shop; 4. Dining bank, 160x55x90cm, starts at €598, Ins en Outs; 5. Hockinger bench, metal frame, upholstered with recycled bicycle tubes  €320, from Stef Fauser; 6. Mangoholz sideboard, 165x40x55cm, La Casa di Caesar; 7. Beijing bowl, burned wood, 36x30x11cm, Au Maison; 8. Wayo vases, 11x10x16cm, € 16.90, Asa Selection; 9. Inca Stones blanket, alpaca and wool, 140x200cm, €99, Elvang.

1. Copos de garrafas recicladas e cortiça, €25, Artificial; 2.  Buffet Bloomingdales, 191x69c230cm, da Eichholtz; 3. Candeeiro de tecto Marina, Ø31,5x63cm, da Lambert, €522, Reflexões; 4. Lanterna em vidro matizado,  Allegiance Overseas; 5. Alarme de fumos ChickaDee (o pássaro pia a 85 decibeis quando necessário), Charles and Marie; 6. Relógio de parede Goldfish, Ø65x10cm de mostrador, a partir de €135, Haoshi; 7. Candeeiro de mesa Magno Tube, base em cimento com interior magnético que permite posicionar o fuste, por Doreen Westphal, €390, Mensch Made; 8. Vasos da Dolce Villa Design; 9. Tapete Vintage Patchwork, Cotex Teppiche; 10. Revestimento de parede Wood, da Total Panel System.
1. Glasses made from recycled bottles and cork, €25, Artificial; 2. Buffet Bloomingdales 191x69c230cm, Eichholtz; 3. Ceiling lamp Marina, Ø31,5x63cm, by Lambert, €522, Reflexões; 4. Tinted glass lantern, Allegiance Overseas; 5. Smoke detector Chickadee (the bird sings up to 85 decibels when necessary), by Charles and Marie; 6. Goldfish Wall Clock, display with Ø65x10cm, starts at €135, Haoshi; 7. Table Lamp Magno Tube, concret base conciling a magnet inside that allows to position the shaft, by Doreen Westphal, €390, Mensch Made; 8. Vessels Dolce Villa Design; 9. Vintage Patchwork Rug, Cotex Teppiche; 10. Wall covering Wood,by Total Panel System.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

MANIFESTO

maqueta para Especial Listas de Casamento na Máxima Interiores, o ano não interessa, casar é sempre lindo                 mockup for Wedding Lists on Maxima Interiores

MANIFESTO
Em 1999 vendi brilhantemente - modéstia à parte - um cadeirão da Vitra, na esquina da Politécnica com a rua Nova de São Mamede: um lounge dos Eames, com repousa-pés, estrutura lacada a preto e estofo em pele cor de nata: um bombom para a alma. Este facto fez-me entrar no - na altura - novo mundo da imprensa da decoração e do design em Portugal. Vi a ascensão e a queda de publicações que, vistas como menores por quem de mal-direito, foram encerradas: depois de ajudarem à promoção das editoras foram as primeiras guilhotinadas pela queda. E como não posso ficar editorialmente viúvo pela terceira vez e fazer de conta que nada se passa, abri este shoppingvisadron.

Não aceito de braços cruzados que a imprensa nacional do sector fique reduzida a revista e meia mensais, feitas com restos que caem dos pratos das internacionais e com borlas enviadas por gabinetes de arquitectura e interiores. Pelo meu lado, vou aqui tentar informar - sem pretensões de formar, cruz/credo! - o que se faz de novo lá para a casa e do que já se fez e vale a pena revisitar em novo contexto. E opinar, que é coisa mais forte que eu, herdada de minha mãe que não resistia a alfinetar sempre que se justificasse; mais que defeito, melhor que feitio, há no alfinetar uma espécie de motor, seja prosaico, seja, em patamares mais acima, civilizacional, que não é de desprezar.  

O bom gosto não acompanha obrigatoriamente a espessura da carteira; pelo que tenho visto, é comummente bem pelo contrário, e não me venham dizer que quem tem dinheiro não tem tempo para compor a sua própria casa e necessita de decorador; para mim e para a minha tribo, o segundo maior prazer da vida é entrar numa casa nova vazia e escaqueirada, de calculadora numa mão, e fita métrica na outra e duas mochilas de ferramentas às costas, agarrar a obra pelos cornos e fazer dela o que eu quero.


A decoração nunca acaba, nunca está pronta; acabar um decor mata-o e resigna-o à triste posição de datado; se você cresce e muda, o seu habitat não lhe pode ficar atrás; mais, se crescer consigo e acompanhar a sua visão da vida, o espaço que o rodeia retribuirá e contribuirá para o avanço de ambos: é a simbiose perfeita.


Não existe boa decoração dress down; pode ser boémia, grunge ou esfarrapada, com paredes corridas a aparite usada antes como taipal de obra, mas se tiver um sentido, contar uma história e espelhar quem a usa - idealmente a mesma pessoa que a faz - só pode correr bem e ser dress up.

Não acredito em académicos da decoração e em verdades incontestáveis: não existem tais coisas como cores que choquem entre si, objectos ridículos ou espaços definitivamente medíocres. Dependendo da história contada, o napperon sobre a televisão com cinescópio agigantado, coroados com galo-de-barcelos-ou-nossa-senhora-de fátima-higrométrica podem ser a cereja no topo de um espaço.

Prometo ser um cão de caça na busca do bom - que não é forçosamente sinónimo de novo -  e nesta busca não vou ter em conta baixo preço; ver e gostar não implica comprar; se tem este tipo de problema existem boas instituições onde pode tratar a maleita.

Por fim, eu e este meu espaço temos a agradecer, profundamente, a um grupo iluminado de administradores de grupos de media que decidiram encerrar as publicações onde trabalhei entre 2000 e 2012. Graças a estes imprevistos mecenas sou dono do meu método e da minha edição, sem ter que explicar o que é uma mísula, bater-me pela existência da palavra capitonado, definir especificamente o quero dizer com estilo-miss-havisham ou trabalhar até às 2 da manhã porque aquele azul não é o certo:
- mas qual é? phtalo, prússia, ultramarino? 
- não sei, não sei o que isso é, mas sei que não é este... traga-me outros
Por estas e por outras estive indeciso entre blogar ou escrever uma telenovela sobre a vida numa redacção de literatura mensal levezinha; tenho a certeza de que esta é a melhor escolha, e de qualquer maneira, posso escrever o folhetim ao mesmo tempo.




MANIFESTO
In 1999 I sold brilliantly - modesty aside - a Vitra chair, on a shop in Lisbon, where I worked for a while: an Eames’s lounge with footrest, lacquered black  structure and upholstered in cream coloured leather: a candy for the soul. This made me get into the - at the time - new world of decoration and design press, in Portugal. I saw the rise and fall of publications that seen as minors by a bunch of suits, were closed: after helping the rise, were the first guillotined by the fall. And since I cannot be editorially widowed for the third time and pretend that nothing is happening, I started this shoppingvisadron.

I will not quietly accept that the national deco press is reduced to one and an half monthly magazines, made with crumbs that fall from the international dishes and freebies sent by architects and interior designers. For my part, I will try to tell here - without pretensions of teaching, God forbids! – what is new for the home and what has been already done and is worth revisiting in a new context. And prick, that is stronger than my will and proudly inherited from my mother who could not resist a snipe whenever justified; rather than a defect, there is on pricking an engine to civilization, that cant be slighted.

Good taste does not necessarily stands by the fatness of the wallet; by what I've seen, is commonly quite the contrary, and please don´t tell me that those who have the money do not have the time to compose their own home and so will need a decorator; for me to my tribe, the second greatest pleasure in life is entering an ruined empty house, calculator in one hand, and tape measure in the other, two backpacks of tools on my back, grab the work by the horns and make from it what I want.

A decor never ends, is never ready; finishing a decor kills it and resigns it to a dated  sad position; if you grow and change, you cant leave your habitat behind; better, if it grows with you and full fill your vision of life, your space it will rewards you and will contribute to the advancement of both: it is the perfect symbiosis.

There is never good decoration dressed down; it may be bohemian, grunge or tattered, with walls covered with stained reclaimed wood, but if it has a sense   (tells a story)  and reflect the wearer - ideally the same person that have done it – it can only be fine and dressed up.

I don’t believe in deco academics and incontestable truths: there are no such things as colours that clash with each other, ridiculous objects or definitely mediocre spaces. Depending on the story, the old fashion lace on television’s top, crowned with the Queen’s Mother picture can be the space's cherry on top.

I promise you to be an hound in search of good - which is not necessarily synonymous of new - and in this search will not take into account low price; to see and to like, does not mean to buy it: if you have this kind of problem there are very good institutions where you can be treated.

Lastly, me and this blog of mine, we want to deeply say thank you to a group of enlightened media groups’ administrators who have decided to close the publications where I worked between 2000 and 2012. Thanks to these unforeseen patrons I am the master of my way and editing, without having to explain what is a corbel, to push the existence for the word capitonado, specifically define what I mean by miss-Havisham-style or work until 2 AM because that was not the right blue:
- But what is? phtalo, prussia, overseas?
- I don’t know, I do not know what that is, but I know that it’s not one of these ... bring me another.
For these and others I've been torn between blogging or writing a soap opera about working among monthly airy literature; I am sure that this is the best choice, and anyway, I can write the series at the same time.